segunda-feira, 23 de março de 2009

Esse post não é meu,mas vocês tinham que ver
xD

link original: http://www.fotocomedia.com/artigos/20090321224115672.html





"Porque o frango atrevessou a rua?
Teorias variadas:

PROFESSORA PRIMÁRIA: Porque queria chegar do outro lado da estrada.


CRIANÇA: Porque sim.


POLIANA: Porque estava feliz.


PLATÃO: Porque buscava alcançar o Bem.


ARISTÓTELES: É da natureza dos frangos cruzar a estrada.


NELSON RODRIGUES: Porque viu sua cunhada, uma galinha sedutora, do outro lado.


MARX: O atual estágio das forças produtivas exigia uma nova classe de frangos, capazes de cruzar a estrada.


MOISÉS: Uma voz vinda do céu bradou ao frango: "Cruza a estrada!" E o frango cruzou a estrada e todos se regozijaram.


ALMIR KLINK: Para ir onde nenhum frango jamais esteve.


MARTIN LUTHER KING: Eu tive um sonho. Vi um mundo no qual todos os frangos serão livres para cruzar a estrada sem que sejam questionados seus motivos.


MAQUIAVEL: A quem importa o por quê? Estabelecido o fim de cruzar a estrada, é irrelevante discutir os meios que utilizou para isso.


FREUD: A preocupação com o fato de o frango ter cruzado a estrada é um sintoma de sua insegurança sexual.


DARWIN: Ao longo de grandes períodos de tempo, os frangos têm sido selecionados naturalmente, de modo que, agora, têm uma predisposição genética a cruzar estradas.


EINSTEIN: Se o frango cruzou a estrada ou a estrada se moveu sob o frango, depende do ponto de vista. Tudo é relativo.


HEMINGWAY: "To die. Alone. In the rain."


FHC: Por que ele atravessou a estrada, não vem ao caso. O importante é que, com o Plano Real, o povo está comendo mais frango.


GEORGE ORWELL: Para fugir da ditadura dos porcos.


SARTRE: Trata-se de mera fatalidade. A existência do frango está em sua liberdade de cruzar a estrada


MACONHEIRO: Foi uma viagem...


PINOCHET: El se fué, pero tengo muchos penachos de el en mi mano!

SILVO SANTOS: Ma Oe! Porque ele queria ganhar uma casa no valor de 100 mil reais! Á Aae!"

quinta-feira, 19 de março de 2009

Arte

Ola ola

Hoje eu os convido a interpretar algumas estátuas......
Talvez queira dizer "não deixem que tubarões voadores invadam sua casa"??ou "cuidado com os tubarões marcianos??"
Essa aqui é fácil...."Julgando deus"

Espero interpretações nos comentários...=D

quarta-feira, 4 de março de 2009

O_O

"Denúncia

O advogado da Arquidiocese de Olinda e Recife, Márcio Miranda, deve oferecer ao Ministério Público de Pernambuco, ainda nesta quarta-feira, denúncia contra a mãe da menina. A criança teria sido abusada por seu padrasto, que está preso.

Segundo o advogado, a mãe estava sendo orientada por entidades, para que o aborto fosse feito. “Essas organizações poderiam orientar e tentar ajudar a mãe o máximo possível para que a gravidez fosse levada adiante, até o momento de uma cesariana”, diz Miranda. “É a lei de Deus, ‘não matarás’. Consideramos que é um assassinato.”

Miranda defende ainda que o aborto causará grave impacto na vida da criança. "

fonte:http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,MUL1027257-5598,00-MEDICO+DIZ+QUE+GRAVIDEZ+DE+MENINA+DE+ANOS+FOI+INTERROMPIDA.html

bom cara,"grve impacto na vida da menina" já foi causado,agora uma menina de nove anos ter dois filhos(SIM DOIS) parecia ter menos impacto para esse advogado do que.....arg.Enfim,depois de saber disso tudo,uma amiga veio me dizer que todos os que participaram do aborto(medicos,enfermeiros,anestesistas.....)foram excomungados,enquanto que o padrasto estrupador continua sendo um bom cristão.Palmas pra que ainda acredita em uma instituição que prega esse tipo de coisa.

domingo, 1 de março de 2009

sábado, 21 de fevereiro de 2009

"Prisioneiro do acaso

Luiz Manfredini


Na pista de cooper do Barigui, o sujeito cruzou comigo no exato momento em que eu erguia a mão para ajustar os óculos. Decerto imaginou que estivesse a cumprimentá-lo e, cortês, retribuiu. Respondi. Na próxima volta, novo encontro e — inevitável — novo cumprimento. E assim por diante, ao longo de várias voltas em torno do lago. Estabelecida a primeira saudação, não haveria como escapar: dali em diante não teria mais como não cumprimentar o sujeito onde quer que o encontrasse, ainda que não soubesse bulhufas a seu respeito.O acaso, sempre o acaso, de cujas armadilhas já me considero eterno prisioneiro.

Tem sido invariavelmente assim: um movimento de mão para ajustar os óculos, arrumar o boné ou secar o suor da testa, um menear de cabeça, um olhar casual — essas coisas fortuitas — e o outro cumprimenta, e eu respondo e o acaso fatalmente estabelece a "amizade". Menos caminho do que cumprimento "amigos" desconhecidos. Já somam dezenas, é o inferno. Devo ser dos sujeitos mais populares do Barigui. E não adianta mudar de horário. A cada novo horário as situações logo se criam e se recriam, acasos sucedendo acasos. Fora do parque, a turma de todos os horários se espalha por todos os lugares, de forma que topo com ela onde quer que me encontre. Os cumprimentos pululam. Sorrisos, apertos de mão, tapinhas nas costas. Estou me tornando um az do equilibrismo social. É exaustivo, agride minha confessa misantropia. Estou pensando em trocar o parque por uma solitária bicicleta ergométrica.

Dia desses encontrei um dos "amigos" numa churrascaria. Tipo simpaticão, tangeu-me a compartilhar a mesa da família. Entabulou conversa sobre a Procuradoria. Devia me supor advogado. Virei-me como pude. Jornalista é especialista em generalidades. Não sabia sequer o nome do fulano. Um filho menor sabatinou-me sobre o nome do pai. Artimanha de criança. "Joãozinho", respondi, para brincar e me safar. O guri riu e entregou o jogo: "Ah, te peguei! É Arnaldo!". Mas que Arnaldo? E dá-lhe papo sobre a Procuradoria. Não foi sopa. Consola-me o fato de que o problema é também do outro que, ou não me conhece, ou pensa que me conhece e, por fim, confunde. Não estou só. Seria o paroxismo da casualidade?

É vasto e vário o baú de casos. Recordo-me do deputado de Londrina. Ao me encontrar na portaria do Hotel Bourbon, empertigou-se, estufou o peito, aproximou-se com a mão estendida, o abraço armado, jeitão íntimo: "Pedro Franco Guevara y Cruz", quase soletrou, sorriso de orelha a orelha. Confundira-me com meu amigo (e também jornalista) Pedro Franco. Deixei por isso.

A primeira visita à primeira namorada, longos 30 anos atrás, foi emblemática. A loirinha esmagara meu coração adolescente com a motoniveladora dos seus arrebatadores encantos.Invernosa tarde curitibana - inverno desses que já não existem mais, áspero, gélido, com um quê de siberiano em sua inclemência de frios e umidades. Eu lá, na sala da moça, cheio de roupas, resfriado, tossindo freneticamente a carteira e meia de cigarros que, aos 17 anos, já aspirava, timidez juvenil, conversa difícil. Entre um risinho e outro a tosse mais forte fez o ranho escapulir do nariz e repousar, amarronado pela nicotina, sobre os fiozinhos arrepiados do bigode nascente. Ato contínuo, ocultei a coisa com a mão. Por acanhamento permaneci assim, a mão sobre a parte do bigodinho recoberta pelo ranho, falando o mínimo, aterrorizado, ansiando por improvável socorro da providência. As horas escorriam lentas, tormentosas. A moça, afinal, resolveu ir ao banheiro. Minha chance: limpei com a manga do casaco o ranho já ressequido. O namoro terminou dias depois.

Trata-se, enfim, de verdade terminante: o acaso não raro me surpreende e aprisiona. Uma vizinha de apartamento há anos me chama de Paulo. Culpa minha. Quando me chamou de Paulo pela primeira vez não a corrigi e, já na segunda, como dizer que não era Paulo, mas Luiz? Ficou Paulo. "Olá, Paulo". E eu respondo. É assim, a coisa. Uma condenação perpétua."
Super minha cara

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Rosas

"O rouxinol e a rosa

Oscar Wilde


"Ela disse que dançaria comigo se eu lhe trouxesse rosas vermelhas", exclamou o jovem Estudante, "mas em todo o meu jardim não há nenhuma rosa vermelha."

Do seu ninho no alto da azinheira, o Rouxinol o ouviu, e olhou por entre as folhas, e ficou a pensar.

"Não há nenhuma rosa vermelha em todo o meu jardim!", exclamou ele, e seus lindos olhos encheram-se de lágrimas. "Ah, nossa felicidade depende de coisas tão pequenas! Já li tudo que escreveram os sábios, conheço todos os segredos da filosofia, e no entanto por falta de uma rosa vermelha minha vida infeliz."

"Finalmente, eis um que ama de verdade", disse o Rouxinol. "Noite após noite eu o tenho cantado, muito embora não o conhecesse: noite após noite tenho contado sua história para as estrelas, e eis que agora o vejo. Seus cabelos são escuros como a flor do jacinto, e seus lábios são vermelhos como a rosaI de se desejo; porém a paixão transformou-lhe o rosto em marfim pálido, e a cravou-lhe na fronte sua marca."

"Amanhã haverá um baile no palácio do príncipe", murmurou o jovem Estudante, "e minha amada estará entre os convidados. Se eu lhe trouxer uma rosa vermelha, ela há de dançar comigo até o dia raiar. Se lhe trouxer uma rosa vermelha, eu a terei nos meus braços, e ela deitará a cabeça no meu ombro, e sua mão ficará apertada na minha. Porém não há nenhuma rosa vermelha no meu jardim, e por isso ficarei sozinho, e ela passará por mim sem me olhar. Não me dará nenhuma atenção, e meu coração será destroçado."

"Sim, ele ama de verdade", disse o Rouxinol. "Aquilo que eu canto, ele sofre; o que para mim é júbilo, para ele é sofrimento. Sem dúvida, o Amor é uma coisa maravilhosa. É mais precioso do que as esmeraldas, mais caro do que as opalas finas. Nem pérolas nem romãs podem comprá-lo, nem é coisa que se encontre à venda no mercado. Não é possível comprá-lo de comerciante, nem pesá-lo numa balança em troca de ouro".

"Os músicos no balcão", disse o jovem Estudante, "tocarão seus instrumentos de corda, e meu amor dançará ao som da harpa e do violino. Dançará com pés tão leves que nem sequer hão de tocar no chão, e os cortesãos, com seus trajes coloridos, vão cercá-la. Porém comigo ela não dançará, porque não tenho nenhuma rosa vermelha para lhe dar." E jogou-se na grama, cobriu o rosto com as mãos e chorou.

"Por que chora ele?", indagou um pequeno Lagarto Verde, ao passar correndo com a cauda levantada.

"Sim, por quê?", perguntou uma Borboleta, que esvoaçava em torno de um raio de sol.

"Sim, por quê?", sussurrou uma Margarida, virando-se para sua vizinha, com uma voz suave.

"Ele chora por uma rosa vermelha", disse o Rouxinol.

"Uma rosa vermelha?", exclamaram todos. "Mas que ridículo!" E o pequeno Lagarto, que era um tanto cínico, riu à grande.

Porém o Rouxinol compreendia o segredo da dor do Estudante, e calou-se no alto da azinheira, pensando no mistério do Amor.

De repente ele abriu as asas pardas e levantou vôo. Atravessou o arvoredo como uma sombra, e como uma sombra cruzou o jardim.

No centro do gramado havia uma linda Roseira, e quando a viu o Rouxinol foi até ela, pousando num ramo.

"Dá-me uma rosa vermelha", exclamou ele, "que cantarei meu canto mais belo para ti".

Porém a Roseira fez que não com a cabeça.

"Minhas rosas são brancas", respondeu ela, "tão brancas quanto a espuma do mar, e mais brancas que a neve das montanhas. Porém procura minha irmã que cresce junto ao velho relógio de sol, e talvez ela possa te dar o que queres."

Assim, o Rouxinol voou até a Roseira que crescia junto ao velho relógio de sol.

"Dá-me uma rosa vermelha", exclamou ele, "que cantarei meu canto mais belo para ti."

Porém a Roseira fez que não com a cabeça.

"Minhas rosas são amarelas", respondeu ela, "amarelas como os cabelos da sereia que está sentada num trono de âmbar, e mais amarelas que o narciso que floresce no prado quando o ceifeiro ainda não veio com sua foice. Porém procura minha irmã que cresce junto à janela do Estudante, e talvez ela possa te dar o que queres."

Assim, o Rouxinol voou até a Roseira que crescia junto à janela do Estudante.

"Dá-me uma rosa vermelha", exclamou ele, "que cantarei meu canto mais belo para ti."

Porém a Roseira fez que não com a cabeça.

"Minhas rosas são vermelhas", respondeu ela, "vermelhas como os pés da pomba, e mais vermelhas que os grandes leques de coral que ficam a abanar na caverna no fundo do oceano. Porém o inverno congelou minhas veias, e o frio queimou meus brotos, e a tempestade quebrou meus galhos, e não darei nenhuma rosa este ano."

"Uma única rosa vermelha é tudo que quero", exclamou o Rouxinol, só uma rosa vermelha! Não há nenhuma maneira de consegui-la?"

"Existe uma maneira", respondeu a Roseira, "mas é tão terrível que não ouso te contar."

"Conta-me", disse o Rouxinol. "Não tenho medo."

"Se queres uma rosa vermelha", disse a Roseira, "tens de criá-la com tua música ao luar, e tingi-Ia com o sangue de teu coração. Tens de cantar para mim apertando o peito contra um espinho. A noite inteira tens de cantar para mim, até que o espinho perfure teu coração e teu sangue penetre em minhas veias, e se torne meu."

"A Morte é um preço alto a pagar por uma rosa vermelha", exclamou o Rouxinol, "e todos dão muito valor à Vida. É agradável, no bosque verdejante, ver o Sol em sua carruagem de ouro, e a Lua em sua carruagem de madrepérola. Doce é o perfume do pilriteiro, e as belas são as campânulas que se escondem no vale, e as urzes que florescem no morro. Porém o Amor é melhor que a Vida, e o que é o coração de um pássaro comparado com o coração de um homem?"

Assim, ele abriu as asas pardas e levantou vôo. Atravessou o jardim como uma sombra, e como uma sombra voou pelo arvoredo.

O jovem Estudante continuava deitado na grama, onde o Rouxinol o havia deixado, e as lágrimas ainda não haviam secado em seus belos olhos.

"Regozija-te", exclamou o Rouxinol, "regozija-te; terás tua rosa vermelha. Vou criá-la com minha música ao luar, e tingi-la com o sangue do meu coração. Tudo que te peço em troca é que ames de verdade, pois o Amor é mais sábio que a Filosofia, por mais sábia que ela seja, e mais poderoso que o Poder, por mais poderoso que ele seja. Suas asas são da cor do fogo, e tem a cor do fogo seu corpo. Seus lábios são doces como o mel, e seu hálito é como o incenso.

O Estudante levantou os olhos e ficou a escutá-lo, porém não compreendia o que lhe dizia o Rouxinol, pois só conhecia as coisas que estão escritas nos livros.

Mas o Carvalho compreendeu, e entristeceu-se, pois ele gostava muito do pequeno Rouxinol que havia construído um ninho em seus galhos.

"Canta uma última canção para mim", sussurrou ele; "vou sentir-me muito solitário depois que tu partires."

Assim, o Rouxinol cantou para o Carvalho, e sua voz era como água jorrando de uma jarra de prata.

Quando o Rouxinol terminou sua canção, o Estudante levantou-se, tirando do bolso um caderno e um lápis.

"Forma ele tem", disse ele a si próprio, enquanto se afastava, caminhando pelo arvoredo, "isso não se pode negar; mas terá sentimentos? Temo que não. Na verdade, ele é como a maioria dos artistas; só estilo, nenhuma sinceridade. Não seria capaz de sacrificar-se pelos outros. Pensa só na música, e todos sabem que as artes são egoístas. Mesmo assim, devo admitir que há algumas notas belas em sua voz. Pena que nada signifiquem, nem façam nada de bom na prática." E foi para seu quarto, deitou-se em sua pequena enxerga e começou a pensar em seu amor; depois de algum tempo, adormeceu.

E quando a Lua brilhava nos céus, o Rouxinol voou até a Roseira e cravou o peito no espinho. A noite inteira ele cantou apertando o peito contra o espinho, e a Lua, fria e cristalina, inclinou-se para ouvir. A noite inteira ele cantou, e o espinho foi se cravando cada vez mais fundo em seu peito, e o sangue foi-lhe escapando das veias.

Cantou primeiro o nascimento do amor no coração de um rapaz e de uma moça. E no ramo mais alto da Roseira abriu-se uma rosa maravilhosa, pétala após pétala, à medida que canção seguia canção. Pálida era, de início, como a névoa que paira sobre o rio - pálida como os pés da manhã, e prateada como
as asas da alvorada. Como a sombra de uma rosa num espelho de prata, como a sombra de uma rosa numa poça d' água, tal era a rosa que floresceu no ramo mais alto da Roseira.

Porém a Roseira disse ao Rouxinol que se apertasse com mais força contra o espinho. Aperta-te mais, pequeno Rouxinol", exclamou a Roseira, "senão o dia chegará antes que esteja pronta a rosa."

Assim, o Rouxinol apertou-se com ainda mais força contra o espinho, e seu canto soou mais alto, pois ele cantava o nascimento da paixão na alma de um homem e uma mulher.

E um toque róseo delicado surgiu nas folhas da rosa, tal como o rubor nas faces do noivo quando ele beija os lábios da noiva. Porém o espinho ainda não havia penetrado até seu coração, e assim o coração da rosa permanecia branco, pois só o coração do sangue de um Rouxinol pode tingir de vermelho o coração de uma rosa.

E a Roseira insistia para que o Rouxinol se apertasse com mais força contra o espinho. "Aperta-te mais, pequeno Rouxinol", exclamou a Roseira, "senão o dia chegará antes que esteja pronta a rosa."

Assim, o Rouxinol apertou-se com ainda mais força contra o espinho, e uma feroz pontada de dor atravessou-lhe o corpo. Terrível, terrível era a dor, e mais e mais tremendo era seu canto, pois ele cantava o Amor que é levado à perfeição pela Morte, o Amor que não morre no túmulo.

E a rosa maravilhosa ficou rubra, como a rosa do céu ao alvorecer. Rubra era sua grinalda de pétalas, e rubro como um rubi era seu coração.

Porém a voz do Rouxinol ficava cada vez mais fraca, e suas pequenas asas começaram a se bater, e seus olhos se embaçaram. Mais e mais fraca era sua canção, e ele sentiu algo a lhe sufocar a garganta.

Então desprendeu-se dele uma derradeira explosão de música. A Lua alva a ouviu, e esqueceu-se do amanhecer, e permaneceu no céu. A rosa rubra a ouviu, e estremeceu de êxtase, e abriu suas pétalas para o ar frio da manhã. O Eco vou-a para sua caverna púrpura nas montanhas, e despertou de seus
sonhos os pastores adormecidos. A música flutuou por entre os juncos do rio, e eles leva ram sua mensagem até o mar.

"Olha, olha!", exclamou a Roseira, "a rosa está pronta." Porém o Rouxinol não deu resposta, pois jazia morto na grama alta, com o espinho cravado no coração.

E ao meio-dia o Estudante abriu a janela e olhou para fora.

"Ora, mas que sorte extraordinária!", exclamou. "Eis aqui uma rosa vermelha! Nunca vi uma rosa semelhante em toda minha vida. É tão bela que deve ter um nome comprido em latim." E, abaixando-se, colheu-a.

Em seguida, pôs o chapéu e correu até a casa do Professor com a rosa na mão.

A filha do Professor estava sentada à porta, enrolando seda azul num carretel, e seu cãozinho estava deitado a seus pés.

"Disseste que dançarias comigo se eu te trouxesse uma rosa vermelha", disse o Estudante. "Eis aqui a rosa mais vermelha de todo o mundo. Tu a usarás junto ao teu coração, e quando dançarmos ela te dirá quanto te amo."

Porém a moça franziu a testa.

"Creio que não vai combinar com meu vestido", respondeu ela; "e, além disso, o sobrinho do Tesoureiro enviou-me jóias de verdade, e todo mundo sabe que as jóias custam muito mais do que as flores."

"Ora, mas és mesmo uma ingrata", disse o Estudante, zangado, e jogou a rosa na rua; a flor caiu na sarjeta, e uma carroça passou por cima dela.

"Ingrata!", exclamou a moça. "Tu é que és muito mal-educado; e quem és tu? Apenas um Estudante. Ora, creio que não tens sequer fivelas de prata em teus sapatos, como tem o sobrinho do Tesoureiro." E, levantando-se, entrou em casa.

"Que coisa mais tola é o Amor!", disse o Estudante enquanto se afastava. "É bem menos útil que a Lógica, pois nada prova, e fica o tempo todo a nos dizer coisas que não vão acontecer, e fazendo-nos acreditar em coisas que não são verdade. No final das contas, é algo muito pouco prático, e como em nossos tempos ser prático é tudo, vou retomar a Filosofia e estudar Metafísica."

Assim, voltou para seu quarto, pegou um livro grande e poeirento, e começou a ler."

Não acredito no que o texto diz,mas foi bem escrito.Entrou na minha lsita de textos favoritos"!

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

sábado, 29 de novembro de 2008

Lhc funcionando,mundo não acabou.Isso pode ser um bom sinal,mas as colisões ainda não começaram.Não sei se meus leitores lenbram do porque ele é importante,então vou falar:Através dessa máquina gigantesca,eles vao pdoer reduzir à uma partícula que(segundam as teorias mais aceitas entre os cientista) forma todas as outras.Eles e chamam de bóson de Higgs.

http://g1.globo.com/Noticias/0,,GF62391-5603,00-VEJA+COMO+FOI+O+DIA+DE+ESTREIA+DO+LHC.html (Fotos do dia da inauguração)

Logo depois da volta do primeiro próton na máquina,foi notado um defeito que vai fazer com que seu funcionamento seja adiado para o segundo semestre de setembro.O problema foi um vazamento de hélio no setor 3-4 do túnel, devido a uma conexão elétrica entre dois ímãs do acelerador.Se a data foi adiado,o resultado das experiências vão demorar ainda mais.Só espero morrer sabendo o resultado disso tudo.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Noiva

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Magia


O que realmente é considerada a magia?Para alguns é a energia vital dentro de cada pessoa, quando que para outros é a junção de certas palavras com certos instrumentos. Mas qual a base disso tudo??

Com muito tempo livre em casa, resolvi escrever sobre magia. Através de alguns estudos feitos recentemente por causa de um RPG que irei jogar(*-*) sobre magia,me joguei nesse mundo e li vários conceitos sobre,mas acredito que tudo se resume a uma coisa simples:magia á a capacidade do ser humano de realizar coisas impossíveis.Tá tá todo mundo acha uma bola de fogo impossível,mas é um pouco além disso.Vou tomar como exemplo o avião.Todos acreditavam que voar era impossível,mas através de um instrumento(a ciência), Santos Dumont inventou o avião.Não seria isso magia,fazer algo que todos consideram impossível?Mas dizendo isso eu bato na velha crença de separar a ciência de toda parte mística,mas devemos lembrar que a ciência sempre esteve envolvida com coisas inexplicáveis desde o seu inicio,dando como exemplo o fogo. Partindo desse ponto de vista,pessoas poderiam me disser que qualquer coisa pode ser magia,desde que eu acredite que isso e impossível,mas ai um livro de RPG me deu um conceito que eu utilizo aqui:a magia sempre vai contra o que a maioria acredita.Revolucionários,não indo mito longe no tempo nem no espaço,como Chico Buarque,como o movimento tropicália durante a ditadura não realizavam magia??Aqui entra outro conceito do mesmo livro de RPG que se chamavam de paradoxo. O paradoxo é a força contraria a magia,é a crença de todos pesando sobre o mago,que tem que ultrapassar esta barreira,mas nunca sem seqüelas.O paradoxo é sempre definido pela crença da maioria.Ora isso é um tanto óbvio ate,um padre faz milagres dentro de sua paróquia com pessoas que acreditam que ele pode fazer isso,assim como um mago vodun faz suas rezas e seus rituais perto de pessoas que acreditam,e do mesmo modo cientistas se juntam na universidade e fazem os seus milagres através dos seus instrumentos.Pra terminar,gostaria de falar que eu acredito na magia.Não a magia vendida em livrinhos nas revistarias e nem na magia estimulada pela internet(cada coisa que vem quando você coloca vodun no Google....),mas acredito na magia interna,e por favor não resumam magia interna só a capacidade,pois nem todos podem fazê-la.Magia interna e igual ao desejo,a vontade, unida aos meios para produzi-la,pois somente vontades grandes podem fazer milagres.

sábado, 27 de setembro de 2008

All the lonely people





Todas As Pessoas Solitárias

Ah, olhe para todas as pessoas solitárias
Ah, olhe para todas as pessoas solitárias

Eleanor Rigby recolhe o arroz na igreja
Onde um casamento fora realizado
Vive em um sonho
Espera na janela, exibindo a face
Que ela mantém em uma jarra junto à porta
Para quem será?

Todas as pessoas solitárias
De onde todas elas vêm?
Todas as pessoas solitárias
De onde todas elas pertencem?

Padre McKenzie
Escrevendo as palavras de um sermão
Que ninguém ouvirá
Ninguém se aproxima
Olhe para ele trabalhando
Remendando suas meias à noite
Quando não há ninguém lá
O que lhe importa?

Todas as pessoas solitárias
De onde todas elas vêm?
Todas as pessoas solitárias
De onde todas elas pertencem?

Ah, olhe para todas as pessoas solitárias
Ah, olhe para todas as pessoas solitárias

Eleanor Rigby morreu na igreja
E foi enterrada junto com seu nome
Ninguém compareceu
Padre McKenzie
Limpando a terra das mãos
Enquanto ele caminha da sepultura
Ninguém foi salvo

Todas as pessoas solitárias
De onde todas elas vêm?
Todas as pessoas solitárias
De onde todas elas pertencem?

domingo, 14 de setembro de 2008

No mínimo interresante

"Nem Cristão, Judeu, ou Muçulmano, nem Hindu, nem Budista, Sufi ou Zen. Nem uma Religião ou Sistema cultural. Eu não sou do Oriente nem do Ocidente, nem dos oceanos nem da terra, nem material ou etéreo, nem composto de elementos. Eu não existo...
–”Mawlana Jalaluddin Rumi”

Procurando na internet coisas que valessem à pena serem lidas, achei isso. Quem escreveu era um seguidor do sufismo.Diferente de todas as religiões,o sufismo prega um contato direto com Deus,seja ele quem for,através de meditação,música,reclusão,dança e poesia. Chamaram-me atenção por dois motivos principais: por votarem em um contato individual e direto com deus, ignorando assim igrejas, mesquitas, templos e principalmente a indústria da religião e por adotarem qualquer deus como sendo seu, respeitando e aceitando as todas as religiões

"Sigo a religião do Amor.
Ora, às vezes, me chamam
Pastor de gazelas [divina sabedoria]
Ora monge cristão,
Ora sábio persa.
Minha amada são três -
Três, e no entanto, apenas uma;
Muitas coisas, que parecem três,
Não são mais do que uma.
Não lhe dêem nome algum,
Como se tentassem limitar alguém
A cuja vista
Toda limitação se confunde"

Ibn El-Arabi

Eles utilizavam muito a poesia para divulgar seus pensamentos,mas como eles pregavam que todos os deuses deviam ser respeitados foram caçados e criaram uma linguagem própria para codificar seus poemas.

"Sob a linguagem do poeta jaz a chave do tesouro"


A famosa maçonaria (que agora está virando modinhas entre os adolescentes) teve sua origem, segundos alguns sites de internet (que provavelmente não são confiáveis) no sufismo,tanto que alguns o chamam de "antiga maçonaria espiritual".

Até a próxima coisa boa que eu achar na internet.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Voltando

Estou voltando,em um trabalho de ctrl+c + ctrl+v,porem em nenhum ponto inferior
Se assutem como eu me assustei


"Cidade Submersa
Construção de pelo menos 8000 anos foi encontrada sob a água no Japão por Trushar Barot em 26/4/98

Uma estrutura que se pensa ser a construção mais velha do mundo, com quase duas vezes a idade das grandes pirâmides do Egito, foi recentemente descoberta. A formação retangular de pedras abaixo do mar na costa do Japão poderia ser a primeira evidência de uma desconhecida civilização anterior a Idade da Pedra, dizem os arqueólogos. O monumento tem 600 pés de largura e 90 pés de altura e foi datado com pelo menos 8.000 a.C.
A pirâmide mais velha no Egito, a Pirâmide de Saqqara, foi construída há mais de 5.000 anos. A estrutura fora de Yonaguni, uma pequena ilha ao sudoeste de Okinawa, foi descoberto há 10 anos quando os primeiros 75 pés foram descobertos sob a água por mergulhadores de Scuba. Os locais acreditaram que era um fenômeno natural. O professor Masaki Kimura, geólogo da Universidade de Ryukyu em Okinawa, foi o primeiro cientista a investigar o local e concluiu que a misteriosa estrutura de cinco camadas era artificial. " O objeto não foi fabricado pela natureza, se fosse o caso, eu esperaria encontrar escombros de erosão ao redor do local, mas não há nenhuma pedra fragmentada lá ". A descoberta do que parece ser uma estrada que cerca o edifício foi a evidência adicional de que a estrutura foi feita por humanos. Robert Schoch, professor de geologia na Universidade de Boston, mergulhou no local no mês passado. " Isto é basicamente uma série de camadas enormes, cada um com aproximadamente um metro de altura. Essencialmente, é uma face de precipício como o lado de uma pirâmide. É possível que a erosão natural da água combinada com o processo de pedras rachando e se dividindo possam criar uma estrutura desse tipo, mas eu não vejo como tal processo possa ter criado uma estrutura tão bem formada". Kimura disse que era muito cedo para saber quem construiu o monumento ou seu propósito. " A estrutura poderia ser um santuário religioso antigo, possivelmente, celebrando uma divindade antiga que se assemelha ao deus Nirai-Kanai que os locais dizem que trazia a felicidade às pessoas de Okinawa no além mar. Esta poderia ser a evidência de uma nova cultura, mas lá não existe nenhum registro de pessoas suficientemente inteligentes para ter construído tal monumento a pelo menos 10.000 anos atrás. Estruturas artificiais
Teruaki Ishii, professor de geologia em Universidade de Tóquio, disse que as estruturas datam de pelo menos 8000 a.C. quando a terra onde esta construção foi realizada teria submergido ao término da última idade de gelo. Os primeiros sinais de civilização no Japão datam do período Neolítico ao redor de 9000 a.C. As pessoas viveram neste momento como caçadoras. Não há nada no registro arqueológico que sugira a presença de uma cultura avançada o bastante para ter construído uma estrutura como esta. Jim Mower, um arqueologo da Universidade de Londres, disse: " Se for confirmado que o local é tão velho quanto 10.000 anos e é artificial, então isto vai mudar terrivelmente o que pensamos sobre a história do sudeste da Ásia." "








fonte:http://www.fenomeno.trix.net/fenomeno_inexplicavel_1_monumentos-japao.htm

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Texto

ele e ela

Ana Claudia Calomeni


se conhecem num bloco de pierrôs em que ela é a única colombina. Ela bebe cerveja. Ele, caipirinha. Se vêem, sorriem, se beijam.

Quando nos conhecemos ele disse que gostou da minha ousadia. "Ousadia? Mas esse cara nem me conhece", pensei, mas aceitei a cantada. Na verdade, achei aquele elogio o máximo! Ficamos juntos até o bloco se desfazer no Largo dos Guimarães.

Ele não consegue parar de pensar nela. Gosta de imaginar qual é a forma do seu corpo sem fantasia. Passa horas olhando vitrines, tentando adivinhar em que tipo de roupa ela se encaixa melhor, o tamanho, o comprimento...

Um dia o vi olhando uma vitrine de roupas femininas. Admirava os manequins como se visse mulheres no lugar dos bonecos. Parei na sua frente, ele me olhou como quem não acreditasse, sorriu leve, comentou algo sobre "...a ressaca daquele dia", falou mais algumas coisas que eu não consegui decifrar, muito menos tentei entender. Meu pensamento estava preso na imagem dele refletida na vitrine. Escrevi num papel meu telefone. "Não...", ele disse, e eu recuei, "...esse não é o seu tipo de roupa", continuou, esticando o braço, e eu voltei à posição original, como se nada tivesse sido dito. Ele dobrou o papel sem reparar que o meu nome não estava lá. Me beijou no canto da boca.

Ele telefona para ela, sentindo um aperto desconjuntado no peito. Não haviam dito seus nomes, era como se se conhecessem há muito...

Acordei com a voz dele na secretária eletrônica cantando "colombina onde está você, eu vou dançar o iê ie iê. Me liga". Eu corri pra atender, mas não deu tempo. Deixou um número. Nos encontramos no Largo. "Não consigo parar de pensar em você. Quero continuar o que ainda não começamos", ele disse me olhando fundo. Eu sorri. Sempre gostei de paradoxos.

"Te amo", ela diz, mas ele não acredita, mesmo sabendo que ela não mente. Ela faz declarações de amor com a mesma tranqüilidade que acende um cigarro depois do café ou come um prato de filé com fritas. Aos cinqüenta anos um homem já tem opinião formada sobre o que é o amor e ele sabe que uma pessoa capaz de dizer te amo de forma tão natural apenas pensa sentir o que diz. "Você acha que me ama", ele responde. Ela rodopia o corpo leve, inescrupuloso, e sai, batendo a porta do apartamento. Na esquina da rua se vira e acena para ele, que recua um passo da janela, se protegendo atrás das cortinas. Ela espera alguns segundos, ele reaparece e acena de volta com um gesto duro e frio como um espasmo.

Ela levanta de leve os ombros, dá meia-volta e dobra a esquina.

Ele se senta na poltrona perto da janela, acende um cigarro e olha a fumaça.

Ele achava que me conhecia. Dizia que eu pensava que o amava. Acreditava me conhecer mais do que eu mesma. Sabe como é, coisa de homem que acha que já viveu tudo. Na época ele preparava uma tese de mestrado sobre o amor. Algo sobre manifestações amorosas à luz da sociedade pós-moderna. Acho que ele ia ter um bocado de trabalho. Na primeira vez que transamos, ele jurou que me amaria pra sempre se eu continuasse fazendo sexo oral nele daquele jeito. Ali eu percebi que ele ia ter que pesquisar muito pra desenvolver uma tese convincente. Eu não acho que um homem que jura amor eterno a uma mulher só pelo jeito que ela chupa ele entenda realmente do assunto. Talvez ele só entenda mesmo de sexo oral. O que, cá pra nós, não deixa de ser uma vantagem.

O cheiro dela. É um cheiro que ele não sabe explicar, um cheiro impossível, que ele só sente quando não sente direito, só percebe quando não presta atenção, misturado com cheiro de rosa, incenso, creme hidratante e chiclete de canela, que ela gruda nas costas da mão quando toma suco de beterraba com laranja. "Pra saúde", ela diz, brindando o copo num outro imaginário, e bebe o conteúdo quase de um gole só, de olhos fechados para não sentir o gosto. Abre um sorriso satisfeito, desfaz a careta refletida no vidro do copo, leva a mão à boca e resgata o chiclete ainda úmido.

Um dia peguei na mesinha de cabeceira da cama dele uma matéria de jornal: "Machos e fêmeas: o poder do cheiro nas relações amorosas". Ali explicava que homens mais velhos se interessam por mulheres mais novas por causa do cheiro delas. É que essas mulheres, como as fêmeas de qualquer espécie, exalam um cheiro mais forte, e isso compensa a perda progressiva do olfato dos homens mais velhos, o que também acontece aos machos de qualquer espécie. Achei aquilo tudo muito primata pro meu gosto, mas entendi porque ele ultimamente andava cheirando as minhas calcinhas.

Os dois primeiros anos deles juntos são ótimos. Ele gosta da juventude dela, do seu jeito apressado de encarar as coisas. Olha para ela e se lembra dele.

Sabe quando uma pessoa te olha tão através de você que alcança aquilo que está lá atrás e nem você enxerga mais? Pois é, não foram poucas as vezes em que ele me olhou assim. Uma vez eu virei pra trás e vi que não tinha ninguém. Achei divertido, mas foi aí que comecei a entender sem ainda saber: eu já estava só.

"Sinto uma certa pressa", ela diz. "De quê?", ele quer saber, mas ela não sabe responder. Ele gosta de palavras, explicações, e algumas ela não sabe dar.

Eu gostava da maturidade dele. Daquele jeito pouco apressado de olhar o mundo. Os cabelos grisalhos, os olhos por trás dos óculos, a calma, principalmente a calma. Uma calma típica dos que sabem e não têm medo disso, dos que sabem que nem sempre foi assim. Era aquela calma dele que eu procurava, mas eu tinha pressa, muita pressa de encontrá-la. E foi justamente aquela calma que um dia começou a ocupar espaços desconhecidos em mim e me revelou uma solidão imensa, só minha: a solidão de mim. Tive medo, muito medo, do silêncio. Era como se de repente não houvesse mais nada além das paredes daquele apartamento.

Ele a abraça. Eles transam. Ela vai embora, levando a imagem dele refletida na vitrine.

Enchi a casa de espelhos, na esperança de que muitos de nós ocupassem espaços nos quais não conseguíamos mais circular. Eu já não conhecia mais os caminhos, não era capaz de me distinguir daqueles reflexos, não sabia mais que direção tomar. Minha vida virou um labirinto povoado de fantasmas de nós dois. Quando os aços dos espelhos passaram a ser minha única realidade, fui embora.

Hoje é segunda-feira de carnaval. Pierrôs, colombinas, melindrosas, pandeiros e cuícas se misturam no Largo dos Guimarães e eu aqui, relatando um fato a fria distância, como se a história nunca tivesse sido minha. Faz tempo que ela foi embora e ainda sinto uma saudade alucinada de nós. Um fantasma vira aquela mesma esquina ali embaixo há meses e quanto mais me escondo atrás das cortinas, quanto mais cigarros acendo tentando moldar com a fumaça uma outra imagem que não a dela, mais me aflijo neste apartamento incompleto. O apartamento está em pedaços. Os espelhos aumentam um vazio que parece não ter fim, perpetuam este espaço no qual me perco e eu aqui, sentado nesta poltrona, desejando vê-la surgir de dentro deles e dizer que tudo não passou de um inocente pavor.

Outro dia, era uma segunda-feira de carnaval, cuícas, pierrôs, pandeiros, colombinas, melindrosas, se misturavam no Largo dos Guimarães. Senti saudades. Às vezes tenho vontade de voltar e explicar o pavor que senti.



texto de mulher,mas bonitinho

sexta-feira, 4 de julho de 2008

"O PERIGO DAS CANETAS BIC

Acredito que sempre que pensamos em “caneta”, temos uma imagem projetada em nossa mente, a qual diz respeito às famosas canetas BIC. Esta marca de canetas, que investe pouquíssimo em propaganda, fixou uma imagem muito forte diante a tantas outras marcas e modelos.

Você já se perguntou como isso aconteceu? Certamente responderá que por esta ser uma caneta barata, simples e de fácil acesso, tornou-se “convencional” o seu uso no dia-a-dia, desde a escola até a empresa onde você trabalha. Pois bem, a resposta não é assim tão simples!

Documentos secretos encontrados no final do ano de 2001 indicam um envolvimento direto da NASA com a BIC. Também foram encontrados documentos oficiais da NASA, onde estavam registrados estudos sobre uma possível invasão de sondas extraterrestres ao Planeta Terra.

Acredite ou não, estamos sendo vigiados há anos sem percepção alguma. De fato, conclui-se que as canetas BIC são, sem sombra de dúvida, sondas extraterrestres que nos inspecionam diariamente, desde nossa infância até hoje: em casa, na escola, na universidade, nos hospitais, no trabalho, em tudo. Certamente você está exposto a uma caneta BIC neste exato momento: olhe ao seu redor e dificilmente num raio de 15 metros não haverá uma sonda.

Agora pense comigo:

Ao nascer você é registrado com uma caneta. Ao entrar para a escola/universidade também. Tudo o que você escreve, desde estudos até cartas de amor, é escrito com uma caneta, ou seja: Estes seres que nos
observam sabe de absolutamente TUDO sobre TODOS.

O verdadeiro significado da marca BIC é Big Inspekto Center (ou Centro de Grandes Inspeções). No logotipo da BIC notamos um alien tentando esconder atrás dele seu maior segredo: uma caneta, que pode contar toda a história de todos os tempos (simbolizada pelo traço preto atrás do alien).

Vejamos agora algumas dicas que nos levam a propor esta idéia:

* As canetas BIC são facilmente encontradas para serem vendidas. Porém, depois que você já a possui, ela sempre aparece em diferentes locais e você nunca se questiona se realmente a havia deixado onde você a encontrou.
* Mesmo que você compre apenas uma caneta BIC, certamente encontrará várias no local onde a deixar. Elas se multiplicam rapidamente, sem ser perceptível a nós, que somos dotados de uma visão banal em comparação à visão alienígena.
* Após poucos meses, a caneta que você havia comprado simplesmente desaparece. Isso é facilmente decifrável se pensarmos da seguinte maneira: tudo necessita de energia para sobreviver (o homem, o carro, as plantas, sua TV), e ao acabar esta energia, ela precisa ser reposta. Assim, as sondas BIC têm um período de vida curto, e assim, quando se encontram gastas, elas simplesmente se desintegram para uma possível recarga.

A mensagem que quero deixar é que você tenha muito cuidado ao se deparar com estas canetas-sondas, principalmente com as sondas mais avançadas, vulgarmente chamadas de BIC 4 Cores, BIC 2 Cores ou mesmo a tão temida e perigosa BIC VERDE. Esta última jamais deve ser colocada presa em cima da orelha, pois além de enviar dados e informações sobre você para os alienígenas consegue influenciar de maneira drástica sua forma de pensar, tornando-o um escravo a serviço alienígena. Torno a repetir:

CUIDADO COM A MANIPULAÇÃO ALIEN!

Já estamos todos envolvidos nisso. Tentar qualquer forma de fuga ou apatia não é aconselhável. Saiba lidar com elas! Desta forma acredito que não mais estaremos expostos a uma ideologia alien, e poderemos defender o que realmente pertence a nós: o Planeta Terra!"


Eu achei estranho e divertido,esntão postei.Mas por via das duvidas,nao colequem essas canetas atrás de suas orelhas.....

domingo, 29 de junho de 2008

Somos mínusculos



viva os pequeno seres viventes no pequeno planeta azul(ironia).

Traços de humanidade

"-Então senhores,um ser,um novo ser,que sem dúvida logo se multiplicará como nos multiplamos,acaba de aparecer sobre a face da terra.
Ah!Os senhores sorriem!Por quê?Porque esse ser permanece invisível.Mas nosso olho,senhores,é um orgão de tal modo elementar que mal consegue enxergar o que nos é indispensável a existência.Aquilo que é pequeno demais lhe escapa;escapa-lhe o que é muito grande ,assim como o que está muito distante.Ele ignora os mlhares de animálculos que vivem numa gota d'água.Ele ignora os habitantes,as plantas e o sol das estrelas vizinhas;ele não vê sequer o que é transparente.(...)Que há de espantoso em que não se veja um corpo novo,ao qual falta sem dúvida tão só a propiedade de reter os raios luminosos?
Os senhores percebem a eletricidade?No entanto ela existe!
Essse ser,a quem chamei de horla,também existe.O que é?,senhores,é aquele por que a terra espera,depois do homem!Aquele que vem nos destronar,avassalar,domar e nutrir-se de nós,como nos nutrimos dos bois e javalis.Há séculos que ele é pressentido,temido e anunciado!O medo do invisível sempre assombrou nosso pais.
Ele chegou.Todas as lendas de fadas,de gnomos,de vagabundos do ar inapreemsíveis e malfeitores,era dele que falavam,dele,pressentido pelo homem já então inquieto e trêmulo
E tudo isso que os senhores mesmos fazem há alguns anos,isso a que chamam hipnotismo,sugestão,magnetismo-é a ele que estão anunciando,profetizando!
Eu lhes digo que ele chegou.Ronda inquieto como os primeiros homens,ignorando ainda sua força e seu poderio,que cedo irá conhecer,muito cedo..."

Esse texto de Guy de Maupassant tirou algumas noites de sono minhas no ano passado.O modo como el descreve o ser nos faz crer que é possivél.Frisando que o escritor morreu num manicônio,aós uma tentativa de suicidio falha.O que mais me chamou a atenção no texto é uma coisa que não esta nele:a arrogância humana.Não acreditamos no que não vemos,por achar que nosso sentidos podem captar tudo,mas a simples falta de reflexo da luz poderia tornar um corpo invisível.(só não levem ao lado religioso.Não se aplica aqui).O ser humano chegou a um ponto de arrogância que se acha único e perfeito,o que só o torna mesquinho e egoista.è uma pena
=/

"Três paixões,simples,mas irresistivelmente fortes,governan-me a vida:o anseio do amor,a busca do conhecimento e a dolorosa piedade da humanidade"


terça-feira, 10 de junho de 2008

domingo, 25 de maio de 2008

Millôr mais uma vez

Yo,

Esse foi uma dos textos mais engraçados que eu já li.Não sei porque,mas mesmo sem saber o autor,da pra saber que foi escrito por homem.Porque sera isso?O textos de mulher tem alguma coisa que os caracteriza,que mostra "Oi,sou uma mulher e escrevi isso".Quando ele nao tem isso,e de um homen.Mas bem vou parar de confabulação e postar o texto

Eva sem costela

Coisas que as mulheres fazem melhor do que os homens

Millôr Fernandes
(Adão Jr.)


Muita gente pensa que quando mostro todos os defeitos que mostro nas mulheres estou demonstrando definitivamente que as filhas de Eva são em tudo piores que os filhos de Adão e que jamais conseguirão fazer alguma coisa melhor que os indivíduos que vestem calças compridas. Está claro que isso não é verdade. Como é verdade clara que na maioria das vezes as mulheres estão realmente aquém, muito aquém mesmo das coisas conseguidas pelo homem, de modo que realizam apenas a metade do que estes conseguem realizar quando se metem a medir forças com eles.

Mas em determinadas coisas muito particulares — as exceções da regra — elas se mostram de uma eficiência que os homens nem conseguem imitar. Demonstrando isso dou abaixo uma lista das coisas admiráveis que a mulher consegue fazer:

1) Economizar em coisas úteis e gastar em coisas inúteis.

2) Colocar na cabeça o mais ridículo dos chapéus e achar que está elegantíssima.

3) Mandar descer milhares de peças de fazenda das prateleiras de uma loja e no fim não comprar nem um metro.

4) Colocar um maiô de dez centímetros e achar que está bem vestida.

5) Falar durante duas horas e não dizer absolutamente nada.

6) Enganar o cônjuge sem que este jamais suspeite de que está sendo enganado.

7) Usar um sapato apertadíssimo apenas porque o acha elegante; só desmaiar de dor quando chega em casa.

8) Tomar banho demoradamente e depois sujar a cara com baton, rouge, pan-cake, e outras drogas.

9) Fingir irritação quando alguém desconhecido lhe diz um elogio quando na verdade está contentíssima.

10) Ter medo de uma mulher sozinha e não ter medo de dez homens juntos.

11) Cruzar as pernas mostrando-as bem, e depois ficar irritada porque alguém as olha.

12) Elogiar tremendamente uma amiga e logo às suas costas dizer "tudo que sabe delas" — e acrescentar alguma coisa ainda por sua própria conta.

13) Aborrecer um gerente de loja até que ele lhe deixe mais barato cinqüenta centavos um metro de fazenda que custa trezentos cruzeiros.

14) Não fazer nada durante toda a existência e não se sentir inútil.

15) Participar dos feitos e glórias do marido ou coisa que o valha sem participar dos riscos do fracasso.

16) Mudar a cor do cabelo preto para vermelho e exclamar: "Detesto chamar a atenção dos outros”.

17) Conversar na intimidade coisas que fariam corar um frade e protestar em altos brados quando insinuamos ao de leve qualquer coisa mais livre.

18) Chorar a qualquer momento em que for preciso.

19) Arrancar as sobrancelhas todas e depois fazer outra a lápis .

20) Perseguir um homem dando a impressão de que foge.

domingo, 18 de maio de 2008

Luto

Zélia Gattai morre
Um dia sem post em homenagem a ela.